sábado, 8 de outubro de 2011




Dois anos haviam se passado após o ocorrido. Dois anos que eu acordava só, sempre a tua procura naquele seu espaço que outra pessoa jamais ocuparia. Seu travesseiro tinha seu cheiro ainda, aliás, tudo naquela casa havia seu cheiro. Eu saía de casa apenas para ir ao teu túmulo, aparar as gramas, falar um pouco com você. As pessoas achavam que eu estava virando uma louca em minha solidão. Mas não me importo com o que pensam. Desde que te conheci, eu não me importei com mais nada relacionado ao resto. E agora não há de ser diferente. Alguns hesitavam em falar comigo, outros passavam e me davam bom dia com aquele olhar cheio de pena. Pena. Há algum tempo eu me importaria com isso. Mas agora, não faz diferença alguma para mim. Depois de exatos dois anos que você se foi, eu finalmente criei coragem para vasculhar seus pertences. Suas roupas, seus objetos, e aquela caixa que você nunca quis me mostrar desde que ficou doente. Cheguei em casa, e suspirei ao pensar que você poderia estar me esperando fazendo aquela pipoca que você sempre deixava queimar. Deixei minhas chaves na mesa da sala, e fui ao nosso quarto. Olhei tudo ao meu redor, e todos as suas coisas que estavam exatamente da mesma forma que você havia deixado. Tomei um banho,vesti aquele seu moletom que você dizia ficar ainda melhor em mim, prendi meu cabelo em um rabo, e iniciei pelas suas roupas. Tudo tão organizado. Lembro-me das vezes que juntávamos para arrumar nosso guarda-roupa, e o seu lado sempre ficava mais organizado que o meu. Você tentava me explicar uma forma melhor de arrumar, e sempre acabava me derrubando na cama, pedindo um beijo pela aula dada. Uma lágrima escorreu por meus olhos, eu sentia tanta falta de você. Sentia falta da forma como você cuidava de mim. De como vivíamos bem. Lutamos tanto pra prosseguir com o nosso amor, e agora que os nossos planos haviam se concretizado, você partiu. Creio que Deus tenha levado o meu anjo para perto dele. Porque ao Seu lado, faltavam pessoas como o meu querido amor. Continuei a vasculhar cada pequeno espaço, e tudo me retornava uma perfeita lembrança. Seu sorriso, a, aquele sorriso que iluminava uma casa inteira. Fui à procura daquela caixa. A curiosidade era imensa. Finalmente a encontrei, e respirei fundo antes de abri-la. Havia aquele seu escapulário que você tanto gostava. Lembro-me de você dizendo: “É minha proteção.”.. Ao lado do escapulário, uma foto do nosso primeiro encontro, e outra foto, a última que tiramos juntos. Dentro dela havia também alguns DVD’s. Agora entendo o porquê de todos aqueles nossos vídeos juntos depois de você descobrir estar doente. E finalmente, abaixo de tudo isso, havia uma pequena carta.

Minha garota. Estou aqui tentando me controlar. Você saiu para a faculdade, e eu não fui trabalhar, queria adiantar toda essa surpresa. As lágrimas não querem parar de cair. Sei que vou partir daqui um tempo. Tentei relembrar tudo o que vivemos nessa carta, mas realmente não dá. Porque foram tantos momentos. Momentos que eu daria tudo, tudo pra viver outra vez. Eu nunca encontrei um amor como o nosso. E não haverá de forma alguma. Você se lembra de quando estávamos 8 meses juntos e eu te prometi insistir no nosso amor? Te prometi cumprir todas os nossos planos. E eu cumpri não cumpri? Você sempre foi o meu anjo, e chegou a minha vez de ser o teu. Eu disse que cuidaria de você e ficaria ao seu lado onde quer que eu estivesse não disse? Então, é isso que vou fazer quando partir. Quando olhar a janela de nosso quarto, e perceber uma luz solar forte iluminar nosso quarto, tenha certeza de que eu vou estar ali com você.. Pra sempre. Como prometemos um ao outro.. Pra sempre teu.

As lágrimas ardiam os meus olhos, e dificultavam a minha visão. Olhei para a janela, e o sol adentrava o nosso quarto
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