Ele a conhecia mais do que a própria. Sabia descrevê-la em seus pequenos detalhes como se a conhecesse há anos. Eles eram tão diferentes, e as dificuldades eram incontáveis. Isso só fazia com que ela não aceitasse o fato dele ser tudo em sua vida. Era uma constante briga sentimental, mesmo os dois sabendo que não conseguiriam viver um sem o outro. Foi quando ele decidiu não esconder mais nada do que sentia. Quando seu coração parava, sua respiração era ofegante e o peito apertava, ele sempre dizia tudo e ela nunca correspondia. Foi assim por meses, ele sempre dizendo e ela sempre ignorando. Devido a tantas brigas, tantas discussões, tantas idas e vindas, acabaram se separando de vez por um bom tempo. Ela namorava outro, e ele tentando ser forte, vivia em sua ilusão de não estar sentindo ciúmes algum.
Anos se passaram, e eles não trocavam um oi sequer mesmo depois de tanto tempo. Vasculhando suas coisas, ela encontrou um colar que ele havia lhe dado. Um colar que completava-se com outra metade, a dele. Ela sorriu ao se recordar dele. Apesar de tudo, ela o amava. De verdade. E agora que estava tão só, resolveu ir atrás do seu amor. Tomou um banho rápido, usou o perfume que ele sempre amou, passou o batom que ele sempre dizia deixar seus lábios ainda mais bonitos, colocou o colar que havia usado uma única vez, e foi até sua casa. Chegando lá, surpreendeu-se ao ver uma linda mulher abrir a porta. Perguntou por ele, mas ela informou-lhe que ele havia se mudado para a casa de sua mãe. Suspirou de alívio ao saber que ele não namorava aquela moça. E assim, mais uma vez, foi em busca do seu amor. No decorrer do caminho, ensaiva falas como “Desculpe-me pelo tempo perdido, pelas vezes que te ignorei, só agora percebi que o meu verdadeiro amor é você…”.
Chegando lá, o irmão dele abriu a porta. Conversaram um pouco, e ele então iniciou:
- Quanto tempo em. Cinco anos?
- Isso, exatos cinco anos.
- E o que faz aqui depois de tanto tempo? Está a procura dele?
- É.. Posso entrar? Estou nervosa, preciso vê-lo rapidamente. A saudade está apertando.
- Entre.
Ela sentou-se naquele velho sofá de sempre, e ficou a lhe esperar com um sorriso estampado em seu rosto. Ouviu passos pela escada, levantou-se e afastou os lábios a fim de dizer algo. Mas se surpreendeu ao ver o seu irmão novamente.
- Ué, onde ele está?
- Partiu, há cinco anos.
Ela não conseguia dizer nada.
- Mas me pediu pra te deixar algo. Me ligou todos esses anos perguntando se você veio até aqui a sua procura. No ano seguinte a sua partida, ele desanimou e disse que podia jogar fora. Mas claro que não o fiz. Isso é pra você. - E lhe entregou um envelope.
Ela não disse mais nada, e foi para casa espantada. Deitou-se em sua cama, e trêmula, abriu o envelope. Lá havia o colar com a metade dele, e uma carta.
por isso uma semana depois eu parti. Parti pra qualquer lugar. Deixei essa carta com o meu irmão na esperança de que você venha me procurar. Eu sei que você não virá. Mas eu espero que venha. Sempre fomos diferentes não é mesmo? Mas quando estávamos juntos, nada disso importava. Porque eu sempre lhe amei, adorava descobrir novos detalhes ao seu respeito. Juntos éramos um só, e nada mais importava pra mim. Mas você sim. Se importava demais com o que os outros pensavam. E terminou tudo, me deixando aqui, sem você. Lembra-se de quando lhe dei aquele colar? Estou dando-lhe a minha metade. Porque me dei conta de que além da minha metade, você tinha todo o meu coração…"

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